Mal [dito] de sangue.
Via a escuridão;
Apenas sentia o ar gelado.
E quando num piscar
meus olhos se fecharam,
n’outro estavam abertos,
Esbugalhados,
Prontos para a vida.
Mas minha mente adormeceu.
Cocei a cabeça,
Mais para sentir os cabelos.
.
Bocejei:
Uma péssima palavra para começar o dia.
Apreciei o sabor de minha boca:
Era amargo.
E cocei meus pensamentos.
Quis roer uma unha;
Pus um dedo na boca,
Tão amargo quanto ela…
Maldição!
.
Cantava então uma música qualquer,
Tropecei [nas palavras] e caí.
Mas um verso ainda ecoava,
De cara no chão e pensamento ao vento.
Era amargo em minha boca também.
Tinha gosto de sangue.
- Poderia ser meu…
Da minha cabeça escorria.
Provei-o:
- É, é meu.
Sorri
Rodrigo Viana Passos