Arian Merk. Um estranho entre estranhos. (pt. 1)

Era apenas mais um dia de chuva torrencial naquele lugar que Arian era compelido a chamar de lar, e o jovem econtrava-se sentado em uma cadeira velha de seu abrigo.

Um abrigo? Contra o que?

Nada. Talvez dele mesmo. Um abrigo do para escondê-lo do mundo… Afinal as pessoas ainda não estavam preparadas para ele, era o que pensava. A “verdade” é que Arian utilizava o local quando o desespero e aflição tomavam de conta dele. Tinha medo de seus pensamentos, os considerava destrutivos, e às vezes impuros ou simplesmente precipitados. Gritava para si mesmo (aos pensamentos): deixe-me viver! Deixe-me perder o controle! Deixe-me morrer! Deixe-me ser!

O tempo não dava trégua, o mundo ali parecia querer desabar todos os dias, todas as horas, todos os minutos, como se odiasse o seu fardo. Indubitavelmente a natureza se mostrava mais sensível e humana na cidade…

Próximo às 3h da manhã, Arian percebeu que a tempestade dera uma pausa. Sentiu-se mais sonolento que nunca, então decidiu finalmente tentar dormir. Além disso, os pensamentos haviam cessado junto à chuva, ou “a chuva cessara junto aos (por causa de) meus pensamentos”, brincou consigo.  O dia mostrou-se estressante para ele, muitas coisas seriam levadas em consideração em seus próximos surtos psicológicos. Disso ele tinha certeza.

O celular tocou avisando simplificadamente que “tá na hora de levantar!”. O toque do despertador era irritante, mas tinha que ser assim, pois era a única forma eficaz  de acordar aquela verdadeira pedra adormecida. Arian olhou em volta, levantou-se furioso, porém ciente de que “era o jeito”. A cara matinal rabugenta normalmente desaparecia 10 minutos após o rapaz acordar, o que se mostrava sempre muito relativo, afinal Arian parecia ser um eterno rabugento.

Saiu de seu quarto em silêncio, quase como um espírito, até a a cozinha, onde pretendia comer algo para no mínimo enganar o estômago. No caminho encontrou sua mãe radiante de felicidade, o que era uma rotina desde que ele havia se entendido por gente. Ela insistiu em acompanhá-lo até a cozinha para “monitorar sua alimentação”, porém Arian a dispensou com apenas um olhar seco de negação, coisa que desenvolvera há algum tempo e que parecia despertar certo orgulho em si. O interessante é que a mulher não a interpretava como uma atitude rude ou coisa parecida. Sabia que seu filho era apenas prático e reservado. Prático e reservado até demais…

Continua… (eu acho)