Arian Merk. Um estranho entre estranhos. (pt.3)

Era realmente promissor, pensou. Mas aquilo não deveria nem ser classificado, afinal Arian não dava a mínima para o que aquilo poderia significar além do fato de que ele encontrara sua sala, o que evitaria complicações perante as regras escolares. Ele claramente não queria chamar atenção de ninguém. Adentrou à sala desconfiado daqueles olhos; aqueles três fatídicos olhos e seus respectivos olhares assustados –  talvez esse adjetivo seja por demais abstrato para caracterizá-los. Era certamente um sentimento desconhecido, ou ainda não definido corretamente até então.

De qualquer forma, o rapaz seguiu a passos despreocupados rumo à única carteira vazia da sala, localizada exatamente no meio da última fileira (tendo com referencial a porta da sala), de longe na região mais iluminada e ventilada do local. Aquilo não o agradou – como sempre -, certamente pelo fato de que serviria de algo próximo a um holofote. Além disso, a sensação climática agradável acabaria de certa forma, para ele, dissimulando o verdadeiro sentimento que surgira dentro dele desde o primeiro momento que pusera os pés no primeiro centímetro da escola: desconforto. Era uma pressão estranha em seu peito, como se seu corpo gritasse um aviso sobre algum perigo. E parecia ter crescido mais ainda quando fitou aqueles olhares desconfiados.

Já sentado, Arian percebeu que se posicionara ao lado de uma das pessoas que chamou sua atenção – e que teve a sua drenada por ele – no primeiro momento. Era uma garota que mesmo se analisada sob perspectiva dos mais obscuros padrões estéticos seria tida como “beleza atordoante”. Sua pele era de um dourado sutil, seus olhos eram verdes e pareciam brilhar a um simples “tocar” de luz; cabelos castanhos  caíam em linhas onduladas sutis até os ombros. Tinha uma postura ereta e imponente que combinava perfeitamente com sua feição séria, e repleta de traços felinos.

O rapaz não se mexia mais: estava simplesmente mente paralisado naquele momento. Encarava aquela divindade tão fixamente que seus olhos nem piscavam. E não era só a beleza atordoante; talvez isso fosse até insignificante perto do turbilhão de impressões e pensamentos que circulavam por sua mente.

Sua cabeça tombou para o lado, e ele adormeceu.