Rosas.

Antes de começar a escrever este texto, fiquei imaginando como o faria sem que parecesse algum tipo de, digamos, diário. Quanto mais pensava, criei muitos argumentos a favor e poucos contra essa forma de escrita; como o fato de achar que tais fatos que aqui narrarei terão muito mais significado, verossimilhança, etc. É claro que não será algo do tipo “Querido diário”, nem esperem isso. Então, aqui vamos nós.

Semanas corridas essas de 3º ano. Tenho que estudar 5h por dias; tenho que fazer 600 exercícios por semana; tenho que fazer prova; tenho que ler meus livros; tenho que escrever no meu blog; tenho que limpar o coco do gato (isso fica só no ter mesmo, pois eu quase sempre deixo passar); tenho que ouvir música; tenho que ler 1 bilhão de revistas, ou então serei exorcizado nas provas de geografia; tenho que ler meu guia de estudos da Counter-Terrorism Commitee(em inglês); tenho que “ter que”. E ainda sobra tempo para emoções. “Siiiim, meus amigos”, emoções. Tive muitas de ontem pra hoje.

Começou com o famigerado simulado num domingo de manhã (ai vou ter que me acostumar com isso). Foi bacana de um modo geral. Todo mundo lá, parecendo um bando de zumbis ansiosos por devorarem uma prova num tempo record; uma boa causa afinal. Terminei, desci e fiquei jogando conversa fora com a sonolenta Mariana (espero que ela não me bata depois disso). Ela me falou de um filme muito bom que havia assistido no dia anterior, cujo nome era “Direito de amar”. Disse que era tão emocionante, que ela acabou chorando. A história agradou e deixou-me curioso: eu precisava ver aquele filme.

Fui, assisti, adorei, me emocionei, mas não chorei (mas se tivesse, seria algo normal), e fiquei com muita coisa na cabeça. Tirando alguns detalhes, o filme tem muita coisa a ver comigo, como o fato de sentir-se muitas vezes solitário, mesmo tendo uma família linda, e amigos que transcendem a linguagem. Porém, a tristeza, ao contrário do filme,  baseia-se em algo que nunca existiu por completo… É duro ter um coração tão cheio de sentimentos e não poder compartilhar-los; assim o mundo se resume a um caos.

Vivo pelo amor, e ele vive em mim. Amar é fazer o melhor sem pensar nos fins, pensando apenas nos meios de tornar a vida de quem se ama a melhor possível. É mostrar-se feliz a qualquer custo, só para não tirar o sorriso que salva a sua vida. É viver em segredo, pois amar nesse mundo pode ser um crime. É saber que a rosa mais bela é aquela que nunca desabrocha em nossos corações.

“Aprendi” uma vez, assistindo Moulin Rouge, que “all we need is love and be loved” (tudo o que precisamos é amar e ser amados). E num mundo em que o amor parece cada vez mais distante da realidade, o romântico ainda tem esperanças, pois ele é aquele que vive das causas perdidas.

Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.

Fernando Pessoa.