DiaMãetes.

Não vou dizer que escrever agora é um dos momentos mais mágicos da minha vida, até porque é noite de domingo e amanhã tenho que ir cedinho ao colégio para ter dois horários da minha querida Oficina de Redação. É muito legal acordar ainda à noite, tomar banho, empurrar o café da manhã, viajar pela cidade, passar a manhã… a tarde… a noite no colégio. De certa forma eu até gosto de toda essa loucura. Pra confirmar minha atração por aventuras diversas, eis que afirmo em letras góticas que adoro sair de carro com minha mãe. É engraçado, e por isso ajuda esquecer um pouco das muitas besteiras desse mundo estranho.

Minha mãe ainda é nova no ramo automobilístico, e por isso ainda se emociona com certas conversas de trânsito:

“rapaz, eu vou ficar aqui na minha faixa, quietinha.

Tá vendo, Rodrigo? tá vendo! Esse povo louco!

Vou só de 3ª. Não estou com pressa.

Vocês viram aquele engarrafamento de hoje à tarde? Coisa de maluco, né” – comentário: todo dia tem engarrafamento à tarde…

Nossas idas ao shopping são totalmente excelentes. Começa com a saída de casa, pois há toda uma expectativa sobre o processo de retirada do carro – é tudo milimetricamente ensaiado por semanas -, frisando que muitas vezes recebo broncas por uma eventual saída er… Estranha. Depois que a fase um é completada, seguimos para a 2, que eu batizo agora de “Dilema da 4ª”.

  • Mãe, ponha a quarta marcha… – o motor morrendo.
  • Não, ainda dá pra ir tranqüila, devagarzinho, na 3ª.
  • Mãe… Meu pai já disse… – o motor já não agüenta mais, precisa de um ar.
  • Pera… Só mais um pouco. Quase lá… – o carro começa a tremer, como uma batedeira. Todos aqueles que estão dentro iniciam uma dança nova, que batizo agora de “Batedeition”. Como sou o maior, acabo sofrendo com contusões na cabeça – isso contribui para a minha anormalidade normal cotidiana -, pois o carro definitivamente não foi feito para mim.

Chegamos ao local esperado. Penso que estou finalmente a salvo de mais desventuras. A luz do sol brilha ao bater nos azulejos do prédio, ouço anjos em um coro típico de filmes épicos, e eu mal consigo esperar para… Descer do carro para pegar o cartãozinho de entrada do estacionamento. Sim, eu, o não motorista da história.  É tão legal sair do carro, tentar andar com um ar corajoso, e olhar para os lados e ver que ninguém segue seu exemplo. É algum tipo de exemplo reverso do que Jesus e outros grandes líderes da história humana fizeram.

Minha mãe é pequena, certo. Mas isso não é motivo…

Acho que não é necessário contar como é a volta, pois é exatamente igual. Tirando o fato de que às vezes eu sinto um impulso de jogar o papelzinho na lixeirinha da saída e que isso normalmente exige que eu use minhas habilidades ocultas de busca de uma agulha num palheiro. De qualquer forma, ainda estamos vivos.

Bem, acho que esse texto é pequeno demais pra ilustrar as aventuras  desventuras que já passei nessa vida com minha mãe. Há de tudo. Discussões sobre toalhas, livros, bússolas… Enfim, a vida seria muito chata sem essas coisas loucas e sem uma mãe assim. Com ela a vida parece um verdadeiro diamante: várias faces, mas todas brilhantes.

Feliz dia das mães Juliana Lima Viana Walker.