O caminho.

É engraçado olhar para o passado e ver as pequenas-grandes coisas que ficaram para trás ou simplesmente evoluíram. E como já explicou o excelentíssimo prof. Madson, evolução não é necessariamente algo positivo, é apenas mudar. Tratar a vida humana como se fosse a de um animal “qualquer” sujeito às magias dos mecanismos obscuros da natureza soa estranho, é até insuportável a visão. Afinal, nos damos conta do quão efêmeros somos dentre um mundo-universo tão vasto.

Cá estou. Onde mesmo? Perguntas filosóficas existencialistas não ajudam muito agora. Eu preciso de algo concreto. Talvez esteja ficando louco, obcecado… Seco por dentro, pois a minha procura se dá num vasto deserto que se chama Eu-em-mim-mesmo. Ele é vasto por que tem lembranças demais, e desértico por que ainda não conseguiu entender realmente o que a saudade significa. Um processo invertido, talvez, pois normalmente se vê uma miragem de algum Oásis, e a verdade horrenda fica oculta em ilusões; mas nesse caso a miragem é feia, e oculta o belo que realmente é-foi a realidade dessa minha vida.

Penso no vestibular, nas minhas provas colegiais, nas coisas que disse para alguém, ou que simplesmente esqueci – uma simples merda de descarga até! Alguns partem, e tento arrumar algum tipo de cantinho para alguma coisa ou alguém que de alguma forma se sobreponha a um sentimento inevitável de perda o qual toma conta do vazio que não tarda em querer preencher os espaços cavados na minha própria mina de metais preciosos. O tempo é um maldito ladrão… Gollum… Gollum… Gollum.

  • Meu precioso… Eles não vai tomar você de nós… Não, não…!

Isso demonstra como um tipo de mal está se apoderando de mim. Passo horas tentando imaginar como posso corresponder aos meus anseios de mudar de alguma forma o mundo para que eu possa, no futuro, olhar e dizer que nele tudo aquilo que realmente importa para mim está em harmonia. Mas eu falho a todo o momento… Comigo, com muita gente. Assim, minha caminhada à Montanha da Perdição, a marcha rumo a  alguma terra santa esquecida, é dolorosa e infindável. Meu grito rouco só ecoa dentro de mim…

Mas eu posso por mais um mas nisso tudo, pois mesmo que só consiga ver a sombra daqueles que desgastam as solas de deus pés descalços, incertos ou não, eu sei que há alguém ali.

“[…] – Pode confiar em nós para ficarmos juntos com você nos bons e maus momentos – até o mais amargo fim. E pode confiar também que guardaremos qualquer um de seus segredos – melhor ainda do que você guarda para si. Mas não pode confiar que deixaremos que enfrente problemas sozinhos, que vá embora sem dizer uma palavra. Somos seus amigos […]”

SdA – A Sociedade do Anel – pg 111