Aquele que sempre se foi.

Hoje, como poucas vezes, senti-me humano; demasiado humano; felizmente humano. Queria ficar sozinho, pensando em tudo aquilo que queria que fosse, mas que simplesmente não deve ser. Odeio isso… Esse pensamento fajuto de ética transposta para as explicações da Vida e Suas escolhas. Onde estão as nossas afinal?! É tudo Dela; o nosso é apenas uma ilusão para a consciência, já que somos todos prisioneiros do verbo dever.

Abafem esses gritos…! De onde vêm…? Por que, Meu Deus, eu não posso pelo menos uma vez na vida senti-los se esvaindo, para que eu durma em paz? Não consigo mais pensar e/ou agir sem carregar essa sensação de contradição, como se eu fosse meu próprio paradoxo! O que aconteceu comigo…?

Agora, o que me resta são desculpas, nada mais. O tempo me dá mais perspectivas, porém menos dele mesmo. Do que adianta ter um horizonte para escolher se tudo aquilo que realmente importa já se foi não tenho mais que alguns segundos no cronômetro de minha existência moribunda… Percebo que quando minhas relações não corresponderem ao internacionalismo de minhas ideias, o que resta é finalmente me entregar ao pranto renegado por toda a humanidade.

Se algum dia eu lembrar os olhos brilhantes e persuasivos; cabelos revolucionários – o grito de liberdade de uma alma auto-flagelada pela timidez da Sua Vontade; as palavras rápidas e leves que me faziam querer soprar como os ventos glaciais. Queria ter sido tão firme como a voz daquele o qual já se foi há um tempo que simplesmente não convence mim mesmo.

Você pode até vir até mim, mas estarei sempre partindo.