Homúnculo cadente.

Hoje, mais um hoje,

mas não apenas hoje,

eu vi os olhos de uma criatura.

Eram tristes aqueles olhos…

Estava triste aquela criatura.

.

Fora cansado, porém constante,

o soluço do seu lamentar.

Ainda são roucas, e indecifráveis

as tentativas que, de lá,

em seu abrigo homúnculo,

esta fera tenta dizer algo.

.

Para tanto de sua pena pífia,

tinha em si seu pior inimigo,

seu melhor crime.

“Fosse, talvez, tarde para mim”.

.

Sua vontade de viver

é seu verdadeiro atestado de óbito.

Sua loucura por querer amar

é sua carta apaixonada a Solidão.

Viver pela causa do mundo destruído

é sua sentença para o inferno dos outros.

.

Não adianta…

Ele se foi…

O tempo acabou,

abandonou-o.

Você, caro amigo, está morto.

Nunca mais será o mesmo,

nem ninguém o será para si, ou por si.

.

Restou isso:

um pedaço de pano do céu.

Quando imaginou ter visto uma estrela cadente,

nada!

Talvez seja apenas poeira cósmica;

um filete de esperança;

um resto de saudade;

uma terra ávida e ardente por sua carne fresca de lembranças;

o dissílabo da sua “raison d’être” decadente:

Adeus.