Seu céu é o meu ser.

Chegou um momento na minha vida em que escrever o simples e óbvio começou a fazer mais sentido. Na verdade isso se aplica também no que faço, penso, não-penso, ou não quero. Provei mais ainda para mim que guardar as “coisas” não funciona muito bem para o meu complexo mental. Fico agonizante em mim mesmo, sufocado em minha letargia sôfrega de querer ficar escondido por um tempo. Bizarro… Muito bizarro. E desesperador. O momento de gritar pelos dedos sempre chega, e, quando chega, mais desesperadora a situação pode ficar, pois de alguma forma eu perco a vivacidade de meus momentos de paixão pelo texto e tudo aquilo sobre o qual escrevo. Cadê a motivação afinal?

Minha busca pelo meu eu perdido foi árdua. Formulei as maiores e mais mirabolantes teorias que fundamentariam a minha recuperação. Cego por minha racionalidade, perdi muito tempo com os mais diversos postulados, versos, parágrafos e refrões; palavras mil de vidas que não foram nem são a minhas. É preciso, na verdade, viver e apreciar tudo aquilo que me cerca. Fazer de mim o meu próprio instrumento de criação da realidade a qual desejo. Viver o simples e o óbvio, mesmo que para o padrão aquilo não seja considerado suficiente. É como deitar num gramado de tardezinha e apenas observar as nuvens; imaginar mil pokemons, digimons e dinossauros de algodão, e que rapidamente desaparecem e formam outros seres fantásticos. E tudo isso com a presença inalienável de quem realmente suporta suas loucuras diárias e que contribui para isso também, com um brilho verdadeiro no olhar, e uma paixão secreta de amigo (a), que não destrói corações, mas simplesmente maximiza a vontade natural de querer estar ali apreciando a vida como ela deveria ser sempre: límpida e natural.

O ano está acabando junto com um grande ciclo do qual parecia eterno. Quando antes, a vontade era de que esse momento chegasse o mais rápido possível. Iniciar algo novo, excitante e até mesmo traumatizante – mas quem se importava com isso, era tudo uma grande aventura transcendental. O momento chegou, e eu particularmente ando tonto com essa troca de fardos. Percebo que é nessas horas que a autocrítica espanca com maior vivacidade o nosso ego egoísta (olha a cacofonia aí, gente!), pois nossas ambições são expostas ao ridículo por terem sido idealizadas como ferramenta de auto-suficiência do ser. E não são… Nunca poderão ser. Elas não abraçam, sussurram nem oferecem um ombro para se sustentar, ou uma mão para sentir-se mais seguro nos momentos de dúvida. Elas não são rosas, muito menos um céu azul e salpicado de formas brancas. São apenas as rédeas de uma fuga existencial… Nada mais.