Arian Merk – Pt. 4. O despertar.

Arian despertou com a cabeça pesada, e com um gosto amargo em sua boca. Seu olhar era ofuscado por uma luz forte e, para efeito de suas conclusões, branca. Aquilo não poderia ser bom. Afinal, não lembrava de jeito algum como fora parar naquele lugar – e que lugar era aquele, pelo amor de algum deus! E sua mente parecia meio esquecida por seu corpo, como se estivesse em algum canto bizarro de sua existência. Para ele, suas sinapses estavam sendo feitas no pé, ou joelho talvez… O certo era que as coisas haviam fugido completamente de seu controle em algum momento passado.

Silêncio monótono e mortal. Algo bem parecido com Arian, que, por esse fato, estava tranquilo. Nem mesmo o vento gélido passando entre suas nádegas parecia ser capaz de tirar sua paz. Estranho. Depois de refletir sobre esse fato, o rapaz pode finalmente perceber que de suas roupas fora separado em algum momento. No lugar delas, apenas um tipo de pano fora posto sobre seu corpo. Mas quem? Quando? Por quê?! Imaginou duendes fazendo esse tipo de trabalho doentio. Era isso, ou seu momento de ir para o mundo espiritual havia finalmente chegado, e ele simplesmente não lembrava o que ceifara sua vida. Como era o rosto da Morte? Não conseguia lembrar! Talvez porque seus pensamentos ainda estavam saindo de seu pé, ou joelho…

O vento gélido ainda soprava, e Arian decidiu tentar dormir um pouco. Porém o som de chaves destrancando uma porta invadiu o espaço onde estava, e logo o jovem percebeu que essa tal porta dava acesso àquele local, pois um grupo de pessoas adentrou o recinto. De início ele só conseguia entender  que aquilo era apenas um monte de sombras desorientadas – a luz era realmente muito forte. Entretanto, logo essas figuras disformes tiveram seus rostos revelados. Arian preferia estar morto mesmo.