Vocabulário oculto.

Eu estou me perguntando há vários dias “que diabos aconteceu comigo?”. Sabe, tenho dormido sempre às duas da madrugada, e eu não quero isso! É mais uma questão de ordem natural ou divina quem sabe; perdi o fio da meada nos estudos de vez – simplesmente não consigo mais me concentrar, e tem 2ª etapa bem aí; desaprendi a arte de tocar violão, o que na verdade significa que eu não tenho mais paciência nem vontade de tocar há um tempo. Sinto-me meio cinza desde que voltei de São Paulo – bizarro para algumas pessoas. Bem, tem também o fato de eu estar escrevendo algo assim, meio diário, sei lá. Um pouco garotinha que não se convence de que certas coisas da vida – quase tudo – são mais complicadas do que imaginou. E nem por isso essa coisa toda deixa de ser divertida e interessante.

Decididamente eu gosto de Bukowski. Seus textos são totalmente não-eu e ao mesmo tempo muito de mim mesmo – talvez um ser ainda oculto. Ele diz as coisas do jeito que elas vêm, quase que um vômito de uma mente cheia demais. (Enquanto isso, estou imaginando se isso que eu disse já é algum tipo de clichê literário). Antes eu não entendia muito suas motivações, bem como o contexto por trás de tão cáustica linguagem. Suspeitam de mim, imagino. Suspeitam de minha dignidade, teoricamente abalada depois de minha descoberta. Sinceramente eu não tenho a mínima vontade de ser algum tipo de bêbado solitário com tons niilistas e hemorróidas amaldiçoadas, ou de escrever a palavra “trepar” a cada 5 linhas – nada contra, mas esse não é bem o meu estilo de escrever. O que me atrai mesmo é a coragem e sinceridade as quais encontro em cada maldita palavra de seus livros. Nada escapa dessa virilidade. Política, Economia, Inutilidades, Pessoas, Amor (que cão dos diabos!), Sociedade. É o Tudo sendo escrito pelo Nada.

– Diga-me, pessoa. Eu já não aguento mais, diga-me algo ou realmente cale-se por um momento. Não, não se cale… Era só brincadeira. É que eu tenho algo para dizer… Ah, não é nada. Não, espera, tem algo sim. Droga, a gente pode ir para debaixo daquela árvore e conversar sozinhos? Hm… Não me olha assim como se já soubesse o que é, oras! Certo. Vamos então, acho que o tempo já passou mesmo. Porcaria, isso não vai dar certo. Ainda passo tempo demais lendo e ouvindo músicas enquanto escrevo. E…

  • Por favor, cala a boca você agora mesmo e vê se faz o que tem que ser feito de uma vez por todas!