Apenas dizer…

Seu sorriso era tão doce, sereno, fraterno… Sinto falta, sabe? Não consigo parar de derramar essas lágrimas que inundam certos dias pesados. Por que você foi? Eu não sei… Que Deus algum tente me explicar, pois eu não aceito…! Eu estava tão perto e simplesmente isso. O jeito é se conformar mesmo. Tentando reagrupar esses cacos salinos. São mais que lágrimas… É minha culpa obscura, meu fardo de mim mesmo, um entristecer inútil.

Estou tentando ser forte… Só que há certos dias que simplesmente não dá. Basta uma foto, um olhar unilateral e uma espera de reciprocidade. Tento me contentar com a ideia de que meu olhar sempre terá algo seu, e a filosofia acaba por aí. Eu ainda vivo e viverei cada vez mais forte, porém sempre marcado. O sangue estará sempre em mim, na conotação e denotação de uma imagem forte.

Ainda me lembro daquele dia com cheiro forte de tristeza, e do frio emocional que pairava naquela sala de espera, nos corredores, no ar pesado da realidade nova de vida. Era dolorida, mas parecia apenas uma simples ferida de tarde de futebol – basta um sopro gentil dos pais e pronto. E não era, e terminou da maneira errada. Meu filme deu muito errado.

Sabe, Vovô, eu não vou ser médico, mas eu queria ter sido pelo menos por um segundo, na esperança de ter outro para poder ter a chance de dizer pelo menos uma vez na vida que eu te amo.