Arian Merk – Pt. 6: Ohne mich.

Eram olhos de ratos, tinha certeza. Espertos, nunca dormem; se possível fingem que o fazem. Estavam à espera de um erro para que o bote fosse dado. Mas Arian era uma presa difícil, porém até quando? Seu corpo estava suado, e um vapor subia dele, pois o ambiente era mantido a uma temperatura baixa. Na tentativa de sentir-se vivo, buscava um pensamento, já que mover-se parecia enganoso demais. Pensamentos: sua especialidade .Por vezes achava que era mais ideia que matéria. Algo assim bem metafísico mesmo.

Quase sempre sentia uma vontade imensa de lembrar. Q-U-A-L-Q-U-E-R-C-O-I-S-A. Todo o pensamento se desfazia no presente, e assim o passado nem existia. Por um futuro branco e incerto é que vivia, e, assim, era como ser algo meramente possível. Não era um círculo, uma reta ou linha tracejada; talvez fosse um elétron doido o qual apenas se pressupõe que existe de uma forma tal para que as coisas façam mais sentido.

Calafrios estranhos o assombravam constatemente. Fantasmas rondavam sua cama – só lhe faltava essa. Poderia ser o passado, afinal esse estava morto e esquecido. Em outros momentos chorava, mas na verdade as lágrimas apenas escorriam pelo seu rosto frio e sem expressão. Não ter certeza de si é o fundo do poço para o ser humano. E o que é “ser” humano? “Que pergunta porca, Arian Merk… O que é não-ser-humano?

Rodrigo Viana Passos.

OBS: título em Alemão. Frescura mesmo.