Updates from Setembro, 2011 Toggle Comment Threads | Atalhos de teclado

  • rodrigowalker 16:41 on 20 de September de 2011 Permalink | Responder  

    O fruto do louco. 

    Finalmente um dia frutífero. Finalmente as árvores da realidade resolveram me dar o que comer. Apreciei cada mordiscada dessa fruta proibida, e talvez até me condenem por isso, assim como Adão e Eva foram. Simplesmente pelo fato de ousar além do “certo” – e disso lembro algumas reflexões antigas que surgiram quando da minha fase vulcânica de transformar tudo em tese e antítese. Nunca me cobrei sínteses… Elas não existem de fato em si, pois mais tarde acabam transmutando-se em uma tese, velha, em estágio final de putrefação.
    Pensando melhor, acho que eu transformei a mim mesmo numa síntese defeituosa, e o problema de tornar-se algo assim é o simples fato de que se deixa de viver para basicamente permanecer. Torna-se, portanto, um resultado, um produto acabado. O ser humano não é isso, e não é mera concepção idealista… metafísica, o que quer que seja dito como algo das nuvens. É pura constatação por experiência própria – valendo dizer que sou eu a cobaia principal, apesar de que eu já utilizei muita gente para esses fins, mas nesse caso por meio de observações cotidianas. (É por isso que eu insisto na utilidade intelectual do transporte público).

    Até agora gostei do que li de mim mesmo nesse texto. Sinto a desorganização presente em cada período, repleta de desespero pela mudança. Ao contrário do que tenho vivenciado ultimamente nos ambiente opressores chamados salas de aula – que por sinal deveriam ser ambiente de emancipação do intelecto e do ser, quem sabe -, a escrita sobre a vida deve ser nada metodológica e o mais abstratamente concreta possível, além de, partindo da própria estrutura da frase anterior, repleta de contradições (para quem conseguir definir com palavras o que viria a ser “abstratamente concreta” eu darei um doce de batata doce).
    Eu tinha esquecido essa escrita… Fui submergido por uma torrente de palavras sem gosto, textura ou odor. Palavras que teoricamente buscam expressar pensamentos nobres. Não nego essa última parte, pois posso dizer que aprendi muito com esses textos, porém esse processo destroçou a minha outra parte – pulsante, ativa, vívida… A palavra jurídica destrói e deixa pouco no lugar. As que eu mais apreciava, talvez até amasse, pois era com elas que me fazia presente no mundo.

    No meu famoso canto sombrio permaneci calado demais, pensando em praticamente nada de útil. Apenas esquecendo e esquecendo… Mas hoje eu comi do fruto proibido, e já sinto renascer a minha loucura sadia. Espero que essa árvore da qual me servi venha a dar frutos para sempre daqui pra frente.

    Continua… Algum dia.

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    • . 16:41 on 20 de Setembro de 2011 Permalink | Responder

      “É por isso que eu insisto na utilidade intelectual do transporte público.”
      Alguns se valiam da metafísica do chocolate. Outros do tabaco. Álvaro de Campos sucumbia à janela.
      Ótimo perceber que tu agora te negas a acenar pro Esteves cá embaixo.

      Deves um doce de batata doce ao Estar.

      Esse Estar, o agora, o instante-já, uma reunião de onomatopeias.
      Sim, aquilo difícil de escrever mas que define com precisão o momento: um “ai”. Não É: um suspiro, um grito (de dor, de raiva, de vontade…), uma palavra de ordem, um refrão de porca música sertaneja.

      Não há nada tão abstratamente concreto.

  • rodrigowalker 16:41 on 27 de June de 2011 Permalink | Responder  

    Complexo das letras. 

    Chegou hoje. Chegará amanhã. Ontem já chegou e já foi, passar bem. E desse momento mais quero fugir que saborear seja lá o que tiver para isso. Toda vez que toco os dedos no teclado, sinto que falta algo, e já tenho previsto todas as palavras que aparecerão no espaço em branco da tela do computador. Sinto falta da minha conversa fervorosa sobre política, tempo, sociedade, poesia, música. Passado, passado, passado… Passado. Há tanta coisa para dizer e eu só consigo pensar nisso. Talvez por isso a verbalização do meu pensamento tem sido tão simplória, tão fraquinha. Disso só posso concluir que tem me faltado coragem (isso me lembra uma música). Por isso, pus numa meditação eterna, mas bem turbulenta, sem olhos fechados e paz interior. Deixei o tempo passar mesmo, larguei algumas coisas de mão, outras ficaram para domingos à noite, ou segundas até 3h da manhã; e  para algumas pessoas eu esqueci de falar o necessário e disse menos que o suficiente. Funcionou muito não… Persistiu o fato de que eu preciso de uma palavra diferente. Não precisa nem ser minha. Na verdade é melhor que seja de outra pessoa, acompanhada de um olhar e um sorriso diferentes.

    De fato [de fato] mesmo, minha cara de tédio só aumentou com certas coisas. No dia dos namorados me pediram um texto etc, aquela coisa toda. Mas sinceramente o facebook me fez desistir, assim como os diversos sapos com corações em exposição em todos os tipos de lojas possíveis. (Sinto que estou parecendo um vlogueiro chato qualquer que procura algo no dicionário sobre o que reclamar). “[…]senhor, piedade, dessa gente careta e covarde[…]”. Já me emocionei e gastei mais nesse dia de junho. Entendo que isso foi uma extensão da minha agonia com uma certa pompa cotidiana das pessoas. Dito pelo não dito; nada dito; pouco dito; ditado, ditadura, sei lá… É mais que um jogo de palavras. De uma maneira ou de outra, as coisas têm sido opressoras nesse mundo. Ou eu fui perceber isso melhor agora.

    Alguns dias, pessoas têm me oferecido palavras novas e mais reconfortantes, mas sempre tento me livrar desse estado de graça por saber que a coisa toda tá uma merda. Minha mente logo faz um esforço contrário a esse pensamento, e me propõe que o niilismo é apenas uma forma cômoda de reclamar e não fazer nada por dizer-se cansado de tudo [aquilo que ainda nem vi]. Dessa tese e antítese tem surgido uma síntese ainda sem corpo definido, até porque meus pensamentos andam lentos e previsíveis: procuro um forma nova de ser enquanto um alguém racional. Isso demanda tempo e paciência [dos outros]. Por vezes acho que, se eu pudesse, ficaria a vida toda deitado olhando o sol surgir e desaparecer, dando lugar às estrelas e à lua – posso nem chegar ao nirvana com isso.

    Como se percebe, esses parágrafos não tem uma relação muito explícita, nem vou tentar construí-la aqui. Foram escritos num mesmo dia, porém em momentos [mentais, espaciais e temporais] diferentes. Ainda bem que o ENEM  já foi. Não aguentava mais aquela coisa toda (necessária, admito). De qualquer forma, gostei do processo. A partir dele pude visualizar muitas reações cotidianas minhas. Sono, interesse, esforço, frustração, desistência parcial, sono, raiva, vontade, ímpeto, resignação, alívio, sono. A vontade de dormir aparece várias vezes, percebo. Só quero dormir e sonhar com algo melhor mesmo afinal.

     
  • rodrigowalker 16:41 on 20 de April de 2011 Permalink | Responder  

    Ouça. 

    Certo dia prometi a mim mesmo que bastava de textos sentimentais. Pois é, mera ilusão de novo – falar isso nunca deixa de ser cansativo. Sempre há uma emoção à espreita, mal correspondida, mal vestida, cheia de água nos olhos prestes a despencar. Num movimento brusco e impensado, talvez, ela se liberta e põe-se a falar desembestadamente. E fala, fala, fala. Enche meus ouvidos com suas reclamações cotidianas. Mas as circunstâncias não me permitem um minuto sequer de compaixão comigo mesmo, quanto mais com elas. Tantos anos passaram, meu caro, e alguns desses insistem em permanecer – eles não querem acabar; eu não quero que eles acabem.

    É importante atualizar os sentimentos, mas  continuo a compartilhar um pensamento antigo com uma amiga: o passado é nosso amor mais platônico. Se um existencialista bigodudo ainda existisse em carne e osso, talvez desse um pitaco como “um ídolo!”. Pois é, um ídolo mesmo. É confortável tê-lo sempre por perto, pois me exime de pensar coisas novas, inconvenientes e complicadas em parte. Porém, de uma forma ou de outra, um novo eu surge todos os dias, e ignorá-lo é um perigo sem precedentes. No começo ele é apenas pele nova; depois cabelo de forma e/ou cor diferentes; aí vem a mudança do olhar, talvez mais inseguro, ou talvez mais distante, ou até mesmo mais perspicaz. Ideias – “boas” ou “ruins” – também inundam cada centímetro de massa encefálica dia após dia, até entrar em metástase. Se não forem acompanhadas de perto pela autocrítica, essas mudanças tornam-se entraves existenciais consideráveis posteriormente.

    São noites mal dormidas. Dias sem fim. A vida que não prossegue e permanece estagnada em conceitos que agora parecem meros preconceitos (é, nem eu entendi como uma coisa posterior pode tornar-se algo “pré”, mas vale a ideia). Ler livros? Que… Vozes demais. Aquelas vozes já citadas, internas e incansáveis. Então dê ouvidos a elas, seja compreensivo e humilde – afinal é consigo mesmo. Faço uma pequena reflexão aqui: como se expandir para o mundo como um ser político e ético se não se faz nem um esforço para a “auto-compreensão”? É uma reflexão até desgastado pela saliva, tinta e gestos de outras pessoas, mas sempre válido para ser apresentada.

     
    • brunna renata 16:41 on 21 de Abril de 2011 Permalink | Responder

      Amei o texto rodrigo….não canso de ler!! =*

      • rodrigowalker 16:41 on 21 de Abril de 2011 Permalink | Responder

        Obrigado, Brunna, de verdade! *—*

  • rodrigowalker 16:41 on 4 de March de 2011 Permalink | Responder  

    Faces de uma alegria. 

    Passamos. Festa mesmo, nós passamos, cara! E agora, o que vem mesmo? Vêm mais estudos e algumas festas. Não, acho que pode ser o contrário: muita festa e um pouquinho de estudo. Afinal passamos, cara! Sentimos nossos corpos tão cansados de rotina, que o que mais queremos agora é ouvir muita música, falar muita besteira, rir e chorar do que foi e do que vir a ser, falar mais um pouco de besteira, dançar muito, mesmo se o som não for seu preferido. É tempo para romances loucos e amores esporádicos, ou de paixões que começam sem ter um fim. Um olhar basta, e a ausência dele também – início e fim, nem meio teve. É a vida como ela sempre deveria ter sido.

    O ócio já corrói o cérebro de muitos: as palavras nos faltam, a vontade resume-se a si mesma e um dia é um verdadeiro ano, mas a semana é uma sinapse do pensamento mais vazio. Mesmo assim continuamos com um sorriso besta no rosto, pois nós passamos, cara! Não deixemos o tal diabinho corromper a mente – tipo Tom e Jerry, e tal -, pois, apesar de tudo, a vida é bela. Há muito mais a ser dito, mas aos poucos, pois cada palavra deve ser apreciada como o beijo mais sincero de amor.

    Veja o que o tempo faz com as palavras de uma pessoa…

     
  • rodrigowalker 16:41 on 3 de January de 2011 Permalink | Responder  

    Novas impressões passadas. 

     

    Eu nem queria fazer muito isso, mas o meu subconsciente mandou avisar que era algum tipo de obrigação de escritor. Quanta audácia! Escritor. É, gostei disso, soa tão importante e meu – só meu; minhas ideias simplesmente escritas; tão fácil. Isso já pode ser considerado uma parte importante sobre esse ano: eu decidi abraçar de vez as letras; amá-las incondicionalmente, apesar de ainda sofrer de algum desvio intelectual que me faz escrever de menos – bem minguado mesmo, admito. Porém, eu me permito uma desculpa. “É, Rodrigo, foi muita coisa pra uma cabeça só… Uma cabeça assim tão complicada, tão eu – lírica”.

    Eu nunca liguei muito para finais de ano. Pra mim a coisa toda era mera impressão, pois de forma geral os anos eram sempre muito parecidos, tanto que eu poderia até me perder no tempo. E me perdi várias vezes. Isso não significa exatamente esquecer uma data. É algo mais profundo, como se esquecer de viver intensamente, ou até esquecer-se de viver mesmo. Na maior parte do tempo era como eu estar em coma, acho. Eu acordava de vez em quando, mas o que fazer com isso? Não sabia, isso não estava nos livros, pelo amor de deus; ou, se estava, não bastava. “Rodrigo, a vida não é exatamente um poema escrito. Ela é o poema do suor, da lágrima, do sangue… Da dor e alegria vivas a pulsarem no coração”.

    Caramba… O que é ver um ano assim ir embora? Foi uma verdadeira apoteose! E, de repente, ele se foi. Porém, o mais interessante é que parece que ele já acabou uma vez: quando eu finalmente me dei conta que minha vida de colegial havia chegado ao fim. Nada traumático. Senti apenas uma dor gostosa – bah, era o início da saudade – e o velho friozinho no estômago. Nossa, não era um fim de um ano apenas. Era o fim de uma história. Quatorze anos em um momento singular de despedida, assim se pode dizer… Tantas histórias e estórias [de serenata] – parafraseando meu avô poeta. Amei, odiei, deixei de amar e reconsiderei o ódio – ele não tinha culpa mesmo das coisas darem errado. Cresci muitos centímetros e muitos pensamentos – que regência bizarra essa minha última. Chorei muito quando ninguém podia ver – só assim para não congelar mesmo -, e escrevi muito sobre mim para ninguém, talvez para a tal vida. Por falar nisso, cartas são minhas especialidade [meio inútil, ao que parece]. Muitas vezes também escrevi para alguens de carne, pele, sangue e alma – bem arcaico, mas é o que eu sei fazer de melhor. Enfim, muitas aventuras e desventuras.

    Ontem eu comentei algo com uma amiga (Juliana, é você!): o passado é o nosso amor mais platônico. É grudento, é Crepuscular – entenda isso como uma referência à série Crepúsculo -, e, por isso, cansativo. Nosso cérebro trabalha na maior parte do tempo com uma referência passada. Medos, motivações, ideias etc. Imagine que um bebê de 10 meses come barata – eu fiz isso infelizmente. Ele não sabe o que maldição é uma barata, então não tem nada contra ela, até descobrir que aquilo tem zilhões de bactérias e que a meleca branca do bicho é algo considerado nojento – e é mesmo. Os exemplos tornam-se mais complexos com o passar dos anos. Um “não” ou um “sim” mal pensados; morar num apartamento sem crianças para brincar; um filme de terror idiota; muito Power Ranger alugado. Muita coisa pode ser uma grande frustração, mas acho que reclamar não é algo muito produtivo, já que tudo isso são lembranças que de alguma forma definem algo na vida.

    Com todos os defeitos a vida é uma grande merda mesmo, mas acho que por que é por isso que vale a pena vivê-la. Até agora eu tenho muita coisa que reclamar, mas muita coisa para agradecer. “O beijo de amor que não roubei” pode significar no melhor beijo de todos depois. Um 4 numa prova de geometria muitas vezes faz a pessoa acordar pra vida e deixar de “senvergonhisse”. “Se meus joelhos não fossem tortos, eu não andaria com os pés 15 para as 3”. Ficar pensando que uma coisa poderia ter sido assim ou assado não funciona, afinal algo bom poderia ter sido perdido. Melhor, algo de Você seria alterado, e a coisa iria longe. Assim, a vida continua com muitos anos virados e nunca mais iguais.

    Eu normalmente fico um pouco frustrado com a ceia de ano-novo, pois não posso comer galinha por esta, infelizmente, ciscar. Mas tudo bem, porco é bom demais mesmo… De qualquer forma, nesse ano de 2011 vou tentar treinar uma galinha que cisque para frente. Talvez assim eu tenha galinha na primeira ceia do ano que vem.

    Espero tomar muito suco de acerola com pão massa grossa… É assim que me embriago e tenho epifanias.

     
  • rodrigowalker 16:41 on 27 de October de 2010 Permalink | Responder  

    Seu céu é o meu ser. 

    Chegou um momento na minha vida em que escrever o simples e óbvio começou a fazer mais sentido. Na verdade isso se aplica também no que faço, penso, não-penso, ou não quero. Provei mais ainda para mim que guardar as “coisas” não funciona muito bem para o meu complexo mental. Fico agonizante em mim mesmo, sufocado em minha letargia sôfrega de querer ficar escondido por um tempo. Bizarro… Muito bizarro. E desesperador. O momento de gritar pelos dedos sempre chega, e, quando chega, mais desesperadora a situação pode ficar, pois de alguma forma eu perco a vivacidade de meus momentos de paixão pelo texto e tudo aquilo sobre o qual escrevo. Cadê a motivação afinal?

    Minha busca pelo meu eu perdido foi árdua. Formulei as maiores e mais mirabolantes teorias que fundamentariam a minha recuperação. Cego por minha racionalidade, perdi muito tempo com os mais diversos postulados, versos, parágrafos e refrões; palavras mil de vidas que não foram nem são a minhas. É preciso, na verdade, viver e apreciar tudo aquilo que me cerca. Fazer de mim o meu próprio instrumento de criação da realidade a qual desejo. Viver o simples e o óbvio, mesmo que para o padrão aquilo não seja considerado suficiente. É como deitar num gramado de tardezinha e apenas observar as nuvens; imaginar mil pokemons, digimons e dinossauros de algodão, e que rapidamente desaparecem e formam outros seres fantásticos. E tudo isso com a presença inalienável de quem realmente suporta suas loucuras diárias e que contribui para isso também, com um brilho verdadeiro no olhar, e uma paixão secreta de amigo (a), que não destrói corações, mas simplesmente maximiza a vontade natural de querer estar ali apreciando a vida como ela deveria ser sempre: límpida e natural.

    O ano está acabando junto com um grande ciclo do qual parecia eterno. Quando antes, a vontade era de que esse momento chegasse o mais rápido possível. Iniciar algo novo, excitante e até mesmo traumatizante – mas quem se importava com isso, era tudo uma grande aventura transcendental. O momento chegou, e eu particularmente ando tonto com essa troca de fardos. Percebo que é nessas horas que a autocrítica espanca com maior vivacidade o nosso ego egoísta (olha a cacofonia aí, gente!), pois nossas ambições são expostas ao ridículo por terem sido idealizadas como ferramenta de auto-suficiência do ser. E não são… Nunca poderão ser. Elas não abraçam, sussurram nem oferecem um ombro para se sustentar, ou uma mão para sentir-se mais seguro nos momentos de dúvida. Elas não são rosas, muito menos um céu azul e salpicado de formas brancas. São apenas as rédeas de uma fuga existencial… Nada mais.

     
  • rodrigowalker 16:41 on 20 de March de 2010 Permalink | Responder  

    Floricultura. 


    Não sei por que isso vem… Apenas vem. É um aperto no coração, um gritar sufocado de uma alma já cansada de (querer) sofrer por missões atemporais, “aespaciais” (se é que isso existe). Talvez sejam sonhos demais para uma única pessoa. São muitos olhares perdidos, sorrisos esquecidos, explicações e motivações incompreendidas (para os outros).

    Pelo o que, ou por quem vivo? Não sei. É isso que busco desde que me dei conta de minha existência. E você chora, esperneia, transpira, grita, faz cara de mau, mas “ninguém” ouve, nem parece querer saber, se importar. Mas, esse abstrato maldoso nem precisa representar um todo; pode ser uma pessoa, a pessoa. Não se sabe quem é ao certo, ou se sabe, na verdade tem-se apenas a fé em que seja. Aquilo lhe faz feliz.

    Certamente a ignorância é o catalisador dessa reação, pois traz a incerteza, que consigo leva a desconfiança, e tudo isso nos deixa aflitos, amedrontados – fazemos loucuras em seu nome. Não saber o que, por que, como, em quem pensar é demais!Assim cada passo parece cercado de minas, que quando explodem, levam partes de nós. Ainda têm os outros.

    • O Ermo.

    E olho para meu jardim. Quão belo ele é! Mentira, só interessa-me as rosas; mas até entre elas existe a que mais chama minha atenção. Ela tem espinhos como “qualquer” outra, e os dela são os únicos que não me ferem. Pode até apodrecer, definhar, porém seu aroma já está impregnado em mim. Outras nascerão; posso até gostar de suas fragrâncias e formas, e por isso terei muito zelo por elas. Perfeitas! No entanto, nunca me esquecerei daquela Rosa que cultivei e que ainda cultivo nas vastas e esquecidas terras do meu coração.

     
  • rodrigowalker 16:41 on 8 de March de 2010 Permalink | Responder  

    Rosas. 

    Antes de começar a escrever este texto, fiquei imaginando como o faria sem que parecesse algum tipo de, digamos, diário. Quanto mais pensava, criei muitos argumentos a favor e poucos contra essa forma de escrita; como o fato de achar que tais fatos que aqui narrarei terão muito mais significado, verossimilhança, etc. É claro que não será algo do tipo “Querido diário”, nem esperem isso. Então, aqui vamos nós.

    Semanas corridas essas de 3º ano. Tenho que estudar 5h por dias; tenho que fazer 600 exercícios por semana; tenho que fazer prova; tenho que ler meus livros; tenho que escrever no meu blog; tenho que limpar o coco do gato (isso fica só no ter mesmo, pois eu quase sempre deixo passar); tenho que ouvir música; tenho que ler 1 bilhão de revistas, ou então serei exorcizado nas provas de geografia; tenho que ler meu guia de estudos da Counter-Terrorism Commitee(em inglês); tenho que “ter que”. E ainda sobra tempo para emoções. “Siiiim, meus amigos”, emoções. Tive muitas de ontem pra hoje.

    Começou com o famigerado simulado num domingo de manhã (ai vou ter que me acostumar com isso). Foi bacana de um modo geral. Todo mundo lá, parecendo um bando de zumbis ansiosos por devorarem uma prova num tempo record; uma boa causa afinal. Terminei, desci e fiquei jogando conversa fora com a sonolenta Mariana (espero que ela não me bata depois disso). Ela me falou de um filme muito bom que havia assistido no dia anterior, cujo nome era “Direito de amar”. Disse que era tão emocionante, que ela acabou chorando. A história agradou e deixou-me curioso: eu precisava ver aquele filme.

    Fui, assisti, adorei, me emocionei, mas não chorei (mas se tivesse, seria algo normal), e fiquei com muita coisa na cabeça. Tirando alguns detalhes, o filme tem muita coisa a ver comigo, como o fato de sentir-se muitas vezes solitário, mesmo tendo uma família linda, e amigos que transcendem a linguagem. Porém, a tristeza, ao contrário do filme,  baseia-se em algo que nunca existiu por completo… É duro ter um coração tão cheio de sentimentos e não poder compartilhar-los; assim o mundo se resume a um caos.

    Vivo pelo amor, e ele vive em mim. Amar é fazer o melhor sem pensar nos fins, pensando apenas nos meios de tornar a vida de quem se ama a melhor possível. É mostrar-se feliz a qualquer custo, só para não tirar o sorriso que salva a sua vida. É viver em segredo, pois amar nesse mundo pode ser um crime. É saber que a rosa mais bela é aquela que nunca desabrocha em nossos corações.

    “Aprendi” uma vez, assistindo Moulin Rouge, que “all we need is love and be loved” (tudo o que precisamos é amar e ser amados). E num mundo em que o amor parece cada vez mais distante da realidade, o romântico ainda tem esperanças, pois ele é aquele que vive das causas perdidas.

    Eu amo tudo o que foi
    Tudo o que já não é
    A dor que já não me dói
    A antiga e errônea fé
    O ontem que a dor deixou
    O que deixou alegria
    Só porque foi, e voou
    E hoje é já outro dia.

    Fernando Pessoa.

     
  • rodrigowalker 16:41 on 23 de December de 2009 Permalink | Responder  

    Ordo ab Chao. 

      Escrito no dia 18 de dezembro de 2009.

    Hoje eu acordei numa manhã fria de uma fria de sexta-feira com oito simples palavras a ecoar pela minha cabeça: “Dodó, tenho uma péssima notícia pra te dar”; foi o que meu irmão disse ao entrar no quarto onde fui acomodado em Campinas – SP por Matilde, minha tia-avó (suponho).

     De início não dei muita importância àquela informação, pois imaginei algum problema no computador, o que sempre se mostrou uma catástrofe no mundo de meu irmão André (Dedé, simplesmente). E eu só queria dormir. Porém, de súbito, e como eu rugido de dragão após um despertar profundo, outras três palavras foram arremessadas na minha direção: “o Vovô morreu…”

     Momento de letargia, torpor; meu cérebro mostrava-se incapaz de promover qualquer outra reação imediata, parecia que ele desejava torturar-me por mais um tempo com o eco daquelas palavras. Eram pesadas demais… Insuportáveis… Impossíveis. Tudo caiu tão rápido em cima de minha alma, que nem tive tempo para gritar. Parecia injusto, desleal.

    Pouco a pouco, meu corpo demonstrou reação. Minhas narinas foram entupidas pelo medo, meus olhos arderam e inundaram-se de culpa e tristeza, e meu corpo fora paralisado pela dor. Imagens de tempos felizes voavam em minha imaginação. Conseguia ver em todas uma alma cansada pelo tempo, marcada por seus erros, porém perdoada por sua serenidade, afeto e amor que ao seu modo transmitia ao mundo. “O seu mundo”.

    Nunca tinha dado conta do quanto aquela parte era importante para meu “O meu mundo”, e por isso as palavras foram tão pesadas. Poderia conversado mais, visitado mais (e esteve tão perto de mim por tanto tempo…), interessado-me mais. Mas eu sei, eu sinto que sempre quis fazer tudo isso, só não sabia como… Parecia tão simplório… Esperei demais por não acreditar na finalidade-efemeridade-fragilidade do ser, e sim em sua eternidade.

    Mesmo assim, ainda acredito nisso, pois a energia que antes sentia dele não desapareceu em mim, apenas mudou de forma.

    “Andei pelo mundo procurando por inspiraçao e a encontrei em um homem que vive do que sonha.”

     

     
  • rodrigowalker 16:41 on 14 de November de 2009 Permalink | Responder  

    Historinha de vampiro… 

    11632heartUltimamente as idéias parecem estar em contínua fuga de minha cabeça. Nada se organiza direito! É frustrante a pessoa sofrer com tanta coisa na cabeça e não conseguir focalizá-las com clareza necessária para encontrar a compreensão. Venho procurando qualquer forma de voltar. Qualquer mesmo.

    Ainda doente intelectualmente, eu me pus a terminar de ler Eclipse (sim… Rodrigo – eu – lê “Edward e seus amiguinhos”). É muito interessante a minha relação com essa série, são momentos de grande volatilidade. Há momentos que me sinto confortável com a leitura – sugiro que aqueles se consideram “machões” (ignorantes! cof, cof. ignorantes! cof, cof.) demais não leiam esse texto -, e há alguns (são muitos) em que sinto vontade de denunciar a autora ao Ministério da Saúde por escrever um livro capaz de causar ansias de vômito.

    Mas, um dia deparei-me com algo interessante: num diálogo na fatídica Lapush, Jacob – ou Jake para a muitas vezes irritante Bella – questiona Bella sobre a humanidade de Edward, numa tentativa de convencê-la a ter o jovem lobisomem como novo parceiro – ai, ai -. O rapaz baseia-se no fato de que o garoto vampiro não possui um coração pulsante em seu peito – o símbolo do amor para bastante gente mundo afora -, além de ser um ser literalmente frio; e, assim, aproveita para expor como ele (Jacob) era exatamente o oposto. Edward é nessa perspectiva algo desumano, e, assim, indigno do amor de Bella – obsessão! cof, cof. Obsessão! cof cof. Algo intrigante, pois nesses parâmetros a existência humana se define pela capacidade de “produzir” sentimentos, o que vai contra um dos pensamentos mais difundidos: os homens definiram-se pela razão (é claro que não são essas as palavras).

    Isso não se torna simplório ao lembrarmos que Guerras são patrocinadas pela ganância e/ou em prol de um sentimento mesquinho de vingança; agimos contra nossos “princípios” por uma paixão (ou simplesmente paixonite); muitos comem pela simples sensação agradável que uma comida suculenta pode trazer, e várias vezes esquecem de levar em consideração a própria saúde. Vendo o que vem ocorrendo no mundo ao longo dos séculos, sinto-me seriamente inclinado a levar em consideração tal pensamento. Somos dominados, afinal, essencialmente pelas sensações que sentimos e podemos vir a sentir, e muitas vezes instintos animalescos.

    Mas algo me parece mais forte ao ser humano: a capacidade de amar. A questão não é que só os humanos possam amar, mas sim que isso me parece mais presente em nós. Uma pessoa pode sobreviver com pouco dinheiro, mas não sem amor; ela enlouqueceria rapidamente. Do que adianta sermos seres cheios de razão se não tivermos algo que nos dê forças para seguir esse caminho tão tortuoso que é a vida? Seria tudo tão vazio…

    Quando se diz que alguém ou alguma coisa é desumana por cometer alguma atrocidade , é por que no fundo sabe-se que o homem é definido pela capacidade de amar.

    O Garoto-Dentinho pode ser humano afinal… (urgh!)

     
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